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2 de abr de 2011

Com 20 anos na Samambaia, Creche Casa Azul precisa de ajuda

A educação deve ser para todos. E também para cada um. Com este pensamento, que expressa a vontade de promover o ensino humanizado sem deixar de considerar a singularidade das pessoas, Daise Lourenço fundou a Assistência Social Casa Azul. A creche funciona na QN 315 de Samambaia há mais de 20 anos. Nela, 250 crianças de quatro meses a seis anos de idade recebem cuidados que, provavelmente, não teriam fora dali. A acomodação pode ser de meio período ou integral.

A entidade, porém, enfrenta dificuldades para manter a qualidade do ensino e a assistência oferecida. É preciso pagar os salários dos mais de 20 funcionários. Além de manter em dia as contas de luz e de água, por exemplo, deve-se garantir alimentação balanceada para os pequenos. Para reverter os problemas, a Casa Azul lançou o projeto Entrando na roda. Nele, cada voluntário torna-se responsável por parte dos custos de uma criança ou mais.

Doando R$ 100 por mês, a pessoa garante a permanência do “afilhado” na creche durante parte do dia. Por R$ 160 mensais, assegura que o menino ou a menina possa frequentar o centro assistencial pela manhã e à tarde. Quem quiser ajudar deve assinar um termo no qual se responsabiliza a contribuir durante o ano inteiro. Afinal, as aulas não podem ser interrompidas.

"O perfil dos nossos assistidos é muito específico. São crianças de baixa renda. A maior parte das famílias recebe apenas meio salário mínimo. Elas estão em situação de risco social, expostas muitas vezes à violência e a outros problemas familiares e sociais”, diz Daise, presidente da instituição.

O doador (também são aceitas pessoas jurídicas) pode receber a visita de um funcionária da Casa azul, que levará ao voluntário uma cópia do Entrando na roda e mostrará onde o dinheiro será investido. O colaborador, então, terá as portas abertas para visitar a instituição sempre que quiser checar se o trabalho está sendo feito. “Somos uma instituição séria, totalmente transparente quanto ao uso do dinheiro e às nossas intenções”, garante Daise.

\A doação representa apenas parte da quantia necessária para sustentar uma criança no local. “Por mês, cada um nos custa mais de R$ 400. Temos parceiros e voluntários que custeiam uma parte. Mas ainda falta muito”, lembra a presidente da Casa Azul. Dois berçários funcionam na creche. Eles precisam, entre vários outros artigos, de fraldas e pomadas adequadas para os bebês. Além das crianças mantidas na primeira unidade da casa, a instituição tem, na mesma cidade, um local onde adolescentes recebem apoio até ingressarem no mercado de trabalho.
Funcionamento

Ao completar a idade máxima para permanecer na creche, 6 anos, quem recebe o auxílio não é abandonado. “Se há necessidade de continuar esse acompanhamento, nós continuamos. Oferecemos cursos, aulas de telemarketing e noções de turismo e (do trabalho de) auxiliar administrativo. O investimento que fazemos é para formar cidadãos no futuro”, avalia Daise. Nesse progrma, há 400 assistidos de 6 a 14 anos, além de 150, com idade entre 15 a 18 anos, e 130 aprendizes que trabalham em empresas parceiras do projeto.

\Daise faz um pedido a quem já teve assistência da Casa Azul: “Quem recebeu nossa ajuda algum dia, entre em contato para contribuir. Proporcione a mesma chance que teve”. Quem não puder ajudar com dinheiro pode doar também tempo e carinho. “São muitas crianças e poucos voluntários. Às vezes falta alguém que simplesmente dê colo.”

A fundadora da creche começou o trabalho social depois de perder o filho Felipe Augusto, que tinha, à época, 16 anos. “Quando a gente cuida da dor dos outros, esquece um pouco a nossa. Quando vemos os problemas que existem, aceitamos um pouco melhor os nossos”, afirma. Desde então, Daise dedica sua vida a melhorar a educação e a promover o acesso ao lazer e à cultura em uma área carente da comunidade. A ideia de chamar o local de Casa Azul veio de um sonho. “Tinha uma amiga, parceira nessa vontade de ajudar, que sonhou com duas mãos que apontavam uma casa azul.”
As crianças que passam o dia ali têm uma rotina confortável. O espaço passou por uma reforma, recentemente. O parquinho ganhou piso sintético. Há uma quadra de futebol em tamanho reduzido, com o chão coberto de maneira adequada. As salas estão bem conservadas, com desenhos coloridos nas paredes, que dão o tom de alegria ao lugar. As crianças têm aulas de dança, reforço escolar e informática, além do acompanhamento tradicional. Fazem cinco refeições por dia, que incluem frutas e legumes. Também podem ser atendidas por uma enfermeira, por psicólogos e assistentes sociais.

Vulneráveis
Toda a família da criança é avaliada, regularmente. Não são raros os casos de violência que chegam ali. Muitos familiares envolvidos em situações desse contorno são encaminhados à creche por meio do conselho tutelar. Para reverter esse quadro, a equipe da Casa Azul visita as casas dos meninos e meninas e convida os pais para reuniões. “Tem pai e mãe que não consegue sequer ler e escrever. Em alguns casos, a única garantia de uma refeição decente que a criança tem é estar aqui. Muitos nem querem ir embora. Eles perguntam: ‘Tia, hoje eu vou almoçar?’”, relata a coordenadora do espaço, Lúcia Dantas.

Os pais não pagam nada pelo serviço. A operadora de caixa Carla Brito, 28 anos, moradora de Samambaia, só consegue trabalhar sossegada porque deixa a filha Bárbara Lauane, 5, desde o primeiro ano de vida, na Casa Azul. “Eu não poderia pagar por um lugar confortável como esse. Esse cuidado facilita a vida da gente”, ressalta Carla. O relato representa bem o papel da Casa Azul: tentar promover uma mudança real no futuro de quem passar por lá.

Colabore
Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelos telefones 3359-2098, 3359-2095 e 3359-2211 ou pelo email atendimento@casazul.org.br
Endereço: QN 315, Conjunto 6, Lotes 1/4, Samambaia

Fonte: www.correioweb.com.br

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